terça-feira, 7 de outubro de 2014

A tal da guerra fria

É quase certo que alguma vez na vida você já ouviu de uma amiga ou amigo: Ai não seja tão sincera, é sempre bom fazer joguinho.
Eu já ouvi centenas de vezes e isso sempre deu um nó na minha cabeça, talvez porque o meu joguinho seja não fazer joguinhos. :/
Não sou do tipo que sabe dar gelo, se der gelo é ponto final, é tipo iceberg, afundou, pronto, tchau e bença. Não sei fazer charme, nem não falar oq tô sentindo, não sei brincar de ser frio, mesmo sendo uma pessoa bem racional. Talvez por essa racionalidade eu ache totalmente normal falar o que penso.
EU  NÃO SEI ONDE FOI PARAR A ESPONTANEIDADE DAS PESSOAS DO MUNDO!!!
Desde quando aquele beijo na bochecha no meio de uma conversa sem pé nem cabeça ficou proibido? Desde quando dar aquela espiadinha na pessoa dormindo se tornou um erro crucial? Desde quando frio na barriga virou um sinal de extremo perigo?
Ai me falaram esses dias do termo "guerra fria", aquela coisa de quando você tava no pré 1 e jogava areia no amiguinho quando estava gostando dele, acho que é algo do tipo. É você dar gelo para não se mostrar tão disponível, é você fingir não se importar mesmo quando tá se descabelando, é você demorar pra responder quando o cara te manda um "oi linda, tudo bom?". Se eu fosse me definir numa "guerra fria"certamente eu seria a fálida URSS, só que com um muro bem mais fácil de derrubar do que o da antiga Berlin.
Resumindo: eu sou tão espontânea que não sou o tipo de quase cara nenhum no mundo, desses acostumados com esse quebra cabeça complexo que se tornou o simples ato de sair com alguém.
Pensando nisso eu descobri que o melhor mesmo é sair de casa sem esperar nada do mundo nem de ninguém, não vou mudar (tive 27 anos para isso e não rolou), não vou deixar de falar quando gosto, nem quando não quero mais. Não vou me limitar a um ou dois abraços pq é a cóta permitida em não relacionamentos, pré relacionamentos, pegadas, seja lá como vocês queiram chamar. Não vou iludir e dar corda quando não aguento mais ouvir a voz da pessoa. Não vou deixar de ligar, mandar msgm quando eu ver que a nuvem tá com formato engraçado de pênis e acho que você também pode querer rir disso.
Acho, de verdade, que se as pessoas não tivessem perdido a tal espontaneidade o mundo seria tão mais simples (menos para os vendedores de livros de auto ajuda, esses estariam falidos).
Você não precisa de um texto na internet, ou um teste de revista pra saber quem te quer ou não. Você só descobre isso vivendo, sem joguinhos, se amarras sem guerra fria.

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