quarta-feira, 23 de março de 2016

200oe pouco é muita fuleragem...

Em uma das minhas crises de ansiedade eu comecei a ler sobre muitas coisas e alguns artigos antigos sobre a vida. Me deu um pouco de medo perceber o quanto nós estamos nos imbecilizando. Achamos que seremos adolescentes para sempre, evitamos filhos, bebemos muito, malhamos demais, tocamos de menos, digitamos demais, estudamos demais, praticamos de menos, dependemos demais e vivemos de menos.
Esse ideal absurdo de que VOCÊ PRECISA SER FELIZ é simplesmente deprimente. Viver envolve uma caralhada de sentimentos e que bosta de vida medíocre você teria se ela se resumisse à felicidade.
Você tá sofrendo, com o trampo, com a política, com relacionamento e a culpa não é dos seus pais que não te deram um apê ou uma bela mesada. A culpa é tua. Eles trabalharam feito filhos da puta para te alimentar e você tá ai, deprimido pq seu app super cool não vingou. Acorda!
Baseada na minha vida que até ontem achava uma bosta, eu resolvi me ver e tentar viver como uma pessoa de 28 anos nos anos 80, para tentar ver como as coisas não são tão dramáticas quanto parecem.
Então, resolvi fazer uma pequena lista de insultos. Vamos a ela...

Verdades vindas diretamente do passado que todo mundo deveria saber:

1- Vai ter que trabalhar sim e nem sempre você vai estar no seu trabalho dos sonhos. É a vida;
2- Estudar é ótimo, mas todos os mil cursos que você fez não vão valer de nada se você não tiver experiência, profissionalismo, contato e jeito para a coisa;
3- Com 35 anos você não é adolescente. Para de ser ridículo!!!!!!
4- Não existe hora certa para ter filho. Você não precisa ser rico para ter um. O ser humano tinha uma coisinha chamada resiliência e parece que perdeu. Você se adapta, ao chefe chato, ao bebê inesperado, ao jiló e até ao ônibus lotado.
5- Você tem 25 anos e quer tirar um ano sabático? Meu filho, você nem suou ainda. Para de graça;
6- Seus país não deveriam ser uma opção quando seu trampo ou sua vida dá errado. Deixe os dois viverem a aposentadoria, eles não têm mais obrigação de cuidar de você.
7- Ser rico não é importante, ter roupa da moda, o melhor celular, nada disso é. As pessoas costumavam chegar 6h da tarde em suas casas, jantar todos na mesa e todos sobreviveram, acreditem, mesmo com 4 pares de sapato, nenhum celular e roupas que não eram de marca. Supere.
8- Enquanto você buscar a pessoa perfeita, você vai continuar na punheta. Sim. Pessoas precisam (MAIS UMA VEZ) entender o conceito de resiliênciaaaaaaaaaaaaaa....ninguém vem no molde para você. Vai ter briga, vai ter porta batendo, vai ter choro e isso não é motivo para achar que não existe ninguém bom o suficiente, você que é um/a bunda mole que não lida com dificuldades.
9- Sem tristeza você jamais entenderia o que é felicidade, sem dificuldade você não daria valor para as conquistas. Nunca, jamais se esqueça disso. E sua tristeza não é culpa de Deus, ou da Dilma ou da mina/cara q te deu bota. É um mal necessário, todo mundo merece e devia ficar triste e sofrer as vezes.
10- Pessoas são importantes. Sem essa de "gosto mais de bicho, do que de gente". Você precisa lidar com pessoas, beijar pessoas, abraçar pessoas, xingar pessoas, do contrário você vai trocar por coisas mais destrutivas e/ou fotos, vídeos e contatos virtuais, o que nos leva de volta para a punheta hehe..mas sério, pessoas são importantes, o ser humano levou anos para desenvolver a capacidade de fala, e viver em sociedade de maneira minimamente civilizada, não enfie isso na bunda pq você acha cool trepar pelo chat do facebook e falar que prefere animais.
11- A sua vida não é um comercial da coca e nem precisa ser. A sua vida é sua, do seu jeito, e com as suas estranhezas. Para de querer e agir como se estivesse em um enlatado americano. Aceite que você não precisa de 5000 likes no instagram para ser querido. Foda-se os K quem precisa de k depois de um número? A vida tá todo dia ai rolando, enquanto você tá puto com a velocidade da internet.
12- Leve o mínimo de eletrônicos possíveis nas suas férias. Tire o mínimo de fotos que puder, se acaso tirar, lembre-se que você não precisa postar todas, guarde para mostrar para os netos, chame os amigos na sua casa para ver, trabalhe sua memória e as lembranças.
13- Se você está triste diga, se estiver feliz, também. Você não precisa que sua vida seja o ideal aspiracional de ninguém. Ninguém é 100% feliz ou lindo, ou seguro, nem essas centenas de pessoas "famosas" que você segue nas redes sociais.
14- Saiba rir de si mesmo, não é vergonha nenhuma ser ridículo. (As pessoas usavam ombreiras e mullets, achei que essa lição dos anos 80 não poderia faltar.)
15- Você pode ser muito bom em algo que não é o seu sonho e tudo bem. Faça o que se propôs a fazer da melhor maneira possível, sendo você músico, sorveteiro, engenheiro, médico, o que for. Faça o seu melhor independente do que esperam de você ou do que os veículos de comunicação te disserem.


Essa lista eu fiz pra eu mesma, pq além do rabo de cavalo lateral, o cabelo volumoso, o cropped, a calça alta e the bangles no último volume, eu precisava viver um pouco mais os anos 80 pra me livrar de mais uma das minhas crises de ansiedade. E cá pra nós, 2000 e tantos tá cheio de zé ninguém metido a besta, sem nada pra acrescentar além do rosto bonito e da "vida perfeita". Tudo muito cheio das fuleragem. Coisa mais impossível. Benzadeus.

terça-feira, 15 de março de 2016

O absurdo natural

Quando eu era criança não ganhava nada de dia das crianças. Isso mesmo, nada. Ficou espantado?
Pois não devia.
Para os meus pais a data não tinha muito sentido, além do que, quando você vem de uma família muito católica, o dia 12 de outubro é dia de Nossa Senhora Aparecida, na minha, além de tudo, também era aniversário da nossa avó, ou seja, não tinha dia das crianças pra mim.
Quando eu chegava na escola, no dia seguinte, todas as crianças gostavam de contar o que haviam ganho, virava até tema de redação nos primeiros anos de ensino. Eu me limitava (ou me ilimitava) a inventar qualquer coisa, até pq toda vez que eu falava que não havia ganho nada as outras crianças me olhavam como se fosse um E.T. Ninguém nunca me perguntava o motivo, só deduziam que meu pai devia ser muito pobre ou muito malvado por não me dar presente. Chegou uma hora que parei de inventar presente e falar que não ganhava nada, principalmente quando nos meus 15/16 anos isso ainda era assunto. Sim, pessoas ganhavam presente de dia das  CRIANÇAS mesmo com 16 anos. O que deveria ser a coisa mais natural do mundo, levando em conta que dia das crianças é de fato uma data sem nenhuma expressividade além do fundo comercial (pesquise a história da parceria entre a Estrela e J&J, para entender), se tornou uma aberração, motivo de exclusão e estranheza. Hoje percebo que não me causou trauma ou nada assim não ser presenteada, eu esperava mais pelo almoço do domingo do dia 12 e o fato de poder ver meus primos. Ainda assim até hoje me olham estranho quando conto. Isso acontecia e acontece toda vez que nós transformamos o absurdo no natural.

Um belo dia a filha da minha melhor amiga estava com uma amiguinha no carro e essa amiguinha ficou indignada ao perceber que não havia tv no carro. Que absurdo, como uma criança na escola em que ela estuda, nas roupas que ela usa, não ter uma tv no carro? E mais uma vez o absurdo se torna natural e o natural é absurdo.

Hoje em dia a criança que não tem babá é a exceção, é estranha, a que não tem o brinquedo da moda, a pessoa que ainda não foi no restaurante famoso também. Trabalhamos, subimos alguns centavos na conta e isso gera exigências que parecem naturais, mas não são.

Quando você comemora o fato de  que uma artista negra, famosa tenha babá, você comemora uma exceção, o que deveria ser natural, mas é estranheza na realidade em que vivemos. Se é estranheza é porque vai contra o que a maioria aceita.

Aparentemente a maioria acha normal pais abrirem mão da companhia de seus filhos levando uma babá pra cima e pra baixo, marcadas como que com um ferro quente (que hoje foram substituídos pelo "inocente"uniforme branco), mesmo quando não há a menor necessidade.  A maioria acha normal funcionários de posições consideradas menores na escala social brasileira (até pq em muitos países você precisa da mesma formação de um publicitário para ser babá, ser lixeiro é tão relevante quanto ser dentista e por ai vai e ninguém ostenta seu funcionário particular pq eles são iguais) serem usados como um acessório de ostentação, é quase o mesmo que o relógio caro, a diferença é que o relógio custou mais caro e recebe mais respeito. É uma pessoa pra escolher sua roupa, outra para fazer sua comida e (pasmem) uma até para segurar guarda-chuva. Mas você paga, até assina carteira, entnao tá tudo bem. Tá fazendo sua parte dando emprego pra quem não estudou. Pq será que essa pessoa não estudou mesmo?

Quando você cita o fato de que fulano tem um motorista branco, uma faxineira branca, ou que o filho da sua diarista passou no vestibular você tá comemorando a exceção e achando que tá tudo bem.
Pensa bem, quantas vezes você contou por ai, ou viu uma matéria assim: "Filho de advogado passa em 4 federais"??
Nenhuma né? Pq é normal, o estranho é o negro, pobre, filho da faxineira fazer faculdade e quando ele tá lá estudando ainda sofre preconceito, mas sobre isso ninguém escreve né? Isso é o natural.

Mesmo quando exaltamos ou torcemos o nariz para a estranheza, estamos excluindo. Não é porque a sociedade considera normal que é o certo o aceitável.

Agora pensa: quantas estranhezas, quantos costumes desnecessários, quantos supérfluos, consideramos normal, necessário e natural?

Você vai pra rua pedindo igualdade, mas quer que essa pessoa carregando seu filho continue sem formação pra não ficar caro na hora de eu pagar, quer que ela esteja de uniforme pra deixar claro o qe faz ali. Até porque pagar pouco pra certas funções é natural, já é normal.

Do mais, não é porque tá pago que você usa como quiser, algumas das "coisas" que você considera "objeto" e ostenta por ai têm cabeça, pensa, fala, é gente e merece respeito.




quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O amor, o chicote, o tempo e a colheita.

Talvez eu tenha acidentalmente passado a impressão de que vá escrever uma fábula, do tipo "a cigarra e a formiga" e decorar o fim com uma bela moral cheia de cagação de regra, mas não (talvez a parte da cagação de regra que assumo que já é de praxe) é só um texto qualquer.
Vou falar de aceitação, mas onde entra o amor?
O amor é a forma mais pura de aceitação que tem, é ele que você sente imediatamente quando se aceita como é, é ele que as pessoas sentem por você quando te aceitam como você é, é ele que os medrosos sentem quando criam coragem.
O amor é uma junção de vários sentimentos que quando separados ainda são eles, mas só são amor quando estão juntos (e sim, agora tô falando do amor romântico, principalmente).
O amor é a junção da admiração, da amizade,  com o gostar, com o aceitar, com o querer, com o pensar, com o enfrentar, com o aturar, com o cuidar, com o tesão (ahhh o tesão, no caso romântico da coisa né) e com o sofrer(precisamos aceitar o sofrer).
Ah o sofrer. O sofrer é o chicote da vida. É a imprevisibilidade de todas as coisas, é você nao saber o que vem depois, é a bola de neve que se forma com problema pequenos, que juntos não te deixam dormir. É o não saber quando as coisas vão se ajeitar, é o não saber se ainda sente o que já sentiu, o não saber o que se quer, é o não fazer ideia de quanto tempo vai levar.
Ah o tempo, quanto sofre esse rapaz, o tempo é a minoria das coisas, é aquele que sabe bem o que é não ser respeitado. A dificuldade que nós temos de aceitar o tempo certo para as coisas (aceitação, mais uma vez). A gente pensa no plano, no resultado que buscamos, pensamos na conquista, no que precisamos fazer para chegar lá, mas nunca calculamos o esperar. O tempo é uma criança frágil tentando aprender a andar, não dá pra exigir que ele faça pra já, da pra exigir que ele cure o ralado do joelho da noite pro dia e não dá pra ser duro com ele. Não da pra fazer o tempo mudar e assim mudar a maré, levando aquele teu barco à deriva, sem remo, pra ilha que você quer chegar. O tempo é um cafajeste sincero e cara de pau que vive tentando flertar com a senhora santa paciência. O tempo é o definidor de uma boa colheita.
Ah e a colheita? A colheita é o gozo (sim, você leu certo), aquele ápice de prazer que você tem depois de tanto suar. É o que você merecer, você amou, sofreu, esperou e agora nada mais justo do que ver o fruto disso. A colheita é o superar, é o esquecer, é o amar mais uma vez, é o ganhar, é o perder, perder o medo, a dor, perder os preconceitos. Ela é o prazer final, aquele que você sente chegando aos poucos, aquele alívio ofegante que te faz relaxar e se jogar na cama. A colheita nem sempre é o que você achou que de fato merecia, mas o que você precisa. Você flertou, foi paciente, sofreu, encantou, teve dúvidas e foi recompensado com o beijo mais doce e apaixonado, que é conseguir o que deseja, aquilo que te dá a paz na alma, que arranca teu sorriso, que te faz querer cantar. Como é doce a colheita.
As vezes a gente precisa separar as palavras para que elas façam sentido juntas, as vezes a gente precisa se afastar das coisas pra ver como a gente precisa delas, ou como nunca precisamos delas. Em alguns momentos é necessário ver de longe, pra querer ter perto, ou ver mais longe ainda, pra perceber que era só acomodação e medo de recomeçar esse ciclo de vida que é o amor, o chicote, o tempo a colheita e o amor, o chicote, o tempo e a colheita....



segunda-feira, 8 de junho de 2015

Manifesto dos amores que não aconteceram

Mais que um manifesto, um brinde a todos os amores que podiam ter acontecido, mas por erro ou descuido nem chegaram a ser coisa alguma...
Por todas as vezes em que eles se esbarraram no metrô e não tiveram coragem de conversar;
Por todas as vezes que ele pensou em ligar, mas achou que iria parecer desesperado e todas as vezes que ela pensou em ligar, mas as amigas disseram que homens não gostam disso;
Por todas as vezes que por conveniência ele namorava outra e você trabalhava demais;
Por todos aqueles momentos de silêncio em que os dois não queriam dar na cara que o que mais queriam era se afogar nas palavras um do outro;
Por todas as vezes que ela pensou em mandar mensagem, mas viu que a última tinha sido visualizada sem resposta;
Por todas as vezes em que ele viu e não respondeu para parecer que tava tranquilo e não parecer super interessado;
Por todas as noites em que ela se jogou nos braços de outro, porque quem ela queria mesmo, não parecia possível;
Por todas as vezes em que eles trocaram olhares, mas preferiram não se olhar por dentro;
Por todas as vezes que ela fingiu não querer, para ver se assim ele iria querer mais;
Por todos os amigos com conselhos errados e por todos os estereótipos que acabam afastando as pessoas;
Por todas as horas de conversas e risadas que não passaram de conversas e risadas;
Por todas as vezes em que ela se tocou sozinha, querendo que fosse ele, mas não foi;
Por todas as vezes que ele passou em frente a sua casa e não tocou a campainha;
Por todos os bilhetes escritos e não enviados, por todos os flertes em bares não finalizados, por todas as vezes em que um dos dois esteve com a pessoa errada;
Por todos os dias em que ela não botou fé nele porque já não tava botando fé em cara nenhum;
Por todas as vezes em que algum "ele" gostou, mas achou que ela não era para ser levada a sério;
Por todas as noites em que o vinho pareceu ser uma companhia mais segura;
Por todas as fotos que eles admiraram, mas nunca conseguiram elogiar;
Por todas as músicas que não foram dedicadas;
E por todos os romances desperdiçados por excesso de opção;
Um manifesto por todos os amores que podiam ter sido e simplesmente não foram, talvez possam ser um dia, ou nunca serão...
Porque as vezes é mais fácil não levar adiante qualquer coisa que possa nos tirar da nossa zona de conforto, um manifesto por aqueles que assumem a solidão como uma opção por puro medo de tentar.
Um brinde á vida de todos aqueles que por medo de amar deixaram a vida passar...

sexta-feira, 20 de março de 2015

Essa era de gente rasa que nem pires.

Eu sou uma grande fã de Bauman (é, isso é um péssimo começo de texto) Mas, assim, pra quem não sabe, esse velhinho de nome estranho é um puta de um cara que escreve pra um caralho e traduz muitos das coisas que eu penso sobre o mundo, mas não consigo por pra fora.
Depois dos últimos dias eu voltei a ler muito Bauman e descobri que eu devia lembrar mais dele antes de conhecer pessoas.
Para quem não sabe, também, esse senhor explica a era líquida, essa coisa que a gente vive hoje em dia de tudo ser imediato, desvalorizado, das pessoas serem tratadas como coisas, do amor ser banalizado e constantemente confundido com acomodação ou desejo.
Mas uma coisa que não achei em nenhum livro dele, foi a explicação do por que as pessoas fingem tanto?
Que tá todo mundo tão profundo quanto um pires, isso eu já tô meio que conformada, mas que as pessoas precisem fingir serem diferentes disso pra atrair a atenção das que conseguiram não cair nesse mundo de falta de consideração, isso já me assusta um pouco.
Faz as contas ai no seu caderninho: Quantas pessoas você conheceu no último ano que se mostraram super interessadas em ter conversas profundas, te conhecer melhor, falar sobre planos, o mundo, filosofia, música, mudar o mundo e em duas semanas simplesmente desapareceram da sua vida sem nem questão de dar tchau? Quantos "melhores amigos" você fez no bar, na rua, no banheiro depois de descobrir mil coisas em comum, de marcar tantos programas e planos e como quem aplica a bomba ninja, foi aquele interessizinho que a pessoa tinha no seu melhor amigo(a) sumir, que ela/ele sumiu junto?
Quantas vezes você se viu ajudando gente sem querer nada em troca, a pessoa se mostrar super agradecida, mas na primeira chance fingir, que nunca te conheceu?
É isso que me assusta. Gente que respeito e que já viveu muito nesse mundão de meu Deus, sempre me ensinou que se vc entrar na vida de alguém mude algo, deixe algo positivo, trate bem, não USE as pessoas.
As pessoas não são descartáveis, isso é uma lição tão básica na vida, que eu me sinto até uma imbecil de estar falando.
Claro, que cada um tem seu tempo e as vezes pessoas se afastam num fluxo natural da vida, mas afastar e sumir, afastar e jogar fora são coisas totalmente diferentes. Quem se afasta por bem, sempre volta e tá ali como um apoio quando você precisar e vice e versa.
Não desgaste quem já te quis bem, não faça feridas em quem só queria te ver feliz, mesmo que por uns momentos. Você nunca sabe a marca que deixa nas pessoas, mas se esforce para que sejam marcas boas.
Não espere cansar alguém, para sentir falta e tentar consertar as coisas com aquele clássico "E ai, tudo bem? Quanto tempo. Lembrei de você.".
Tenha coragem de sempre colocar seus pontos, os certos e os errados, os de aparecimentos e os de sumiço, seja sincero para poder sempre ser uma boa lembrança, de amigo, de colega de trabalho, de amor, de desejo ou seja lá de qual relação você estiver.
Quando a gente descarta sempre dá margem pra um outro alguém ficar se remoendo atrás de algo errado que tenha feito. Do outro lado da moeda achar que te espantou, caçar erros em si, quando na verdade só não serviu, aconteceu. É isso? Então, joga a real. Não transfira a culpa e as vezes ninguém tem culpa, ás vezes aquela pessoa nem era tão seu tipo de amiga assim, ou o tipo de cara que você curte transar, ou do tipo que te encanta quando tá dormindo, as vezes aquele amigo que você entrevistou não serve para trampar com você, e é só falar. Talk is cheap, my darling (tava escutando agora e achei que cabia rs)
Se a vida é líquida, eu gosto de gente sólida, que valoriza a segurança de ter gente do bem do seu lado, que preserva isso, mas que ao mesmo tempo ame ser livre e entenda que quando a gente realmente se sente conectado a alguém não precisamos pisar em ovos.
Não aceite poças de água, enquanto ainda existe gente que é rio, que é mar...que sabe amar.
Do mais, eu nunca gostei de usar pires, mesmo, acho uma puta frescura.



quarta-feira, 18 de março de 2015

Primeiros passos

Eu gosto do meu cabelo bagunçado, assim como gosto da minha vida.
Não sou adepta de perfeccionismos visíveis (ps: eu sei que não tem plural, mas coloquei usando de licença poética). Eu gosto do estrago, do erro, de mudar mudar de ideia, de não ter medo de ser julgado, de falar o que eu sinto, de chamar pra sair, de abraçar sem motivo, de pular muros, de rir...sem ter que pensar sempre no que as coisas podem dar.
A única coisa que me preocupa mesmo é magoar pessoas que quero bem, ou que já quis mesmo que por 5 minutos de vida, ou até mesmo algumas que mal conheço, gosto de viver sem meus limites, mas sempre respeitando o limite do outro.
Bom, por que eu falei tudo isso? De uns tempos pra cá eu vejo o mundo me desmotivando, penso em mudar, em sair, em conhecer lugares e pessoas, meio que pra renovar meu estoque do que eu já acho que sei e principalmente de perguntas a respeito de tudo o que eu não sei.
Não se trata de fugir, mas de dar um passo para se conhecer melhor.
As vezes a gente precisa terminar com a gente, pra começar a se apaixonar por um outro de nós mesmos.
É bom saber que podemos ser "felizes" onde já estamos acomodados, mas o melhor é saber que podemos ter vários outros lugares no mundo que possam trazer paz e harmonia na alma.
Quantas vezes a gente já não tentou se encaixar em lugares ou em vidas que não têm espaço pra gente?
E é isso que não quero mais, tentar me apertar, me diminuir de tamanho, me dobrar em várias pra simplesmente tentar ficar bem em um lugar que não é meu, que não foi feito pra mim. Claro,  há quem diga que quando você está bem, qualquer lugar é bom, mas acho que é mais questão de se respeitar, de saber que se trata muito mais do que você necessita, e não do que você deseja.
É uma jornada longa até conseguir ser justo e se entender a ponto de saber que o que você quer tanto, não é de fato o que te faz bem, é passar por cima de muito egoísmo, e não em relação aos outros, egoísmo em relação a sua cabeça e o seu coração.
Existe um caminho enorme pra buscar essa calma na alma e a partir dai ver tudo fluir, ver pessoas melhores se aproximando, ver oportunidades simples, que não causam dor de cabeça, batendo na sua porta.
Dá medo? Pra caralho, mas se pensar demais ninguém sai do lugar.
Tenho muitas certezas pra serem quebradas, muitas dúvidas que talvez eu nunca consiga responder, muitas dores que preciso curar, muita auto-estima pra trabalhar e muito orgulho pra esquecer, e isso é só o começo da jornada.

Quem topa ir comigo?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O tal ponto final.

Chega  uma fase em que parece que nossa vida virou um campo de guerra, tudo é estresse, briga e dor, mas não precisa ser assim, por isso é importante o "ponto final". Não vá achando que ponto final é quando você termina com alguém, ou muda de apartamento, de emprego, ou fica sem falar com o melhor amigo, esse ponto final do qual eu me refiro é muito mais sutil e eficaz.
Pensa só nas pessoas e coisas que você dedica seu tempo hoje em dia, reveja, repense quais delas te fazem ficar em paz? Quantas delas atacam sua gastrite, te tiram o sono e te colocam sempre tentando resolver conflito?
Quantas vezes você já não disse "basta", mas a situação ficou ali martelando na sua cabeça, machucando o coração, sufocando suas ideias?
Pois é ai que entra o PONTO FINAL, ele é aquele momento que você resolve mudar suas conversas, escolher um livro para ler, ou uma música sem sentido para ouvir toda vez que alguém que já passou pela fase do basta aparece na sua cabeça, ele é aquele momento em que você faz uma peneira do que realmente tá te fazendo bem e do que está te fazendo mal. Desde o objeto ocupando espaço na sua escrivaninha, até aquele quadro que não combina com sua sala, ele é aquela cortina florida que você coloca no lugar da blackout, ele é aquele amigo que você sempre vai amar, mas por enquanto precisa ficar longe, ele é aquela viagem de final de semana que você faz para colocar o pé na areia e deixar o celular desligado.
O ponto final tá muito além de você prometer para os seus amigos que acabou...mesmo, muito além de você separar as roupas para doar e tentar achar um novo emprego. Ás vezes você continua no mesmo emprego, mas adota uma postura diferente, talvez decida reclamar menos, se distrair menos, ter mais ideias, buscar mais referências, ficar mais na sua, talvez você não precise mudar de apartamento, mas mudar a decoração, colocar mais flores, mais pimenta, mais sal grosso e mais amor em tudo o que leva pra sua casa. Talvez você não precise de novos amigos, mas se distanciar de alguns que só te fazem bem quando vc já está bem e retomar aqueles que te trazem paz interior, talvez você não precise se apaixonar, mas entender que sozinha e de coração limpo, você consegue por fim no rancor, na discrença, na dor e possa se sentir bem em qualquer lugar, estando qualquer pessoa lá ou não. Talvez você não precise de tantas roupas novas, ou sapatos, ou um cabelo novo, você só precisa de um corpo saudável, ler mais livros, rir mais de si mesmo, ouvir mais e falar menos.
O Ponto Final é o momento em que você pensa somente em você, mas sem fazer mal pra ninguém, é um lugar onde você se vê em paz, é a hora em que você se reinventa e tenta manter só o melhor de si. As coisas vão mal,  eu sei, mas deixa eu te contar uma coisa: a culpa não é dos outros, é sua e da sua maneira de pensar! Então para de brigar com o mundo, para de cobrar tanto de si e viva seu ponto final, apague conversas, contatos de telefones, fotos, responda menos, esteja menos disponível, reflita mais, respire, doe-se à quem merecer, mas não ao ponto de se anular...seja feliz.
E no fim você vai ver que o tal ponto final é só o começo de tudo.