quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O amor, o chicote, o tempo e a colheita.

Talvez eu tenha acidentalmente passado a impressão de que vá escrever uma fábula, do tipo "a cigarra e a formiga" e decorar o fim com uma bela moral cheia de cagação de regra, mas não (talvez a parte da cagação de regra que assumo que já é de praxe) é só um texto qualquer.
Vou falar de aceitação, mas onde entra o amor?
O amor é a forma mais pura de aceitação que tem, é ele que você sente imediatamente quando se aceita como é, é ele que as pessoas sentem por você quando te aceitam como você é, é ele que os medrosos sentem quando criam coragem.
O amor é uma junção de vários sentimentos que quando separados ainda são eles, mas só são amor quando estão juntos (e sim, agora tô falando do amor romântico, principalmente).
O amor é a junção da admiração, da amizade,  com o gostar, com o aceitar, com o querer, com o pensar, com o enfrentar, com o aturar, com o cuidar, com o tesão (ahhh o tesão, no caso romântico da coisa né) e com o sofrer(precisamos aceitar o sofrer).
Ah o sofrer. O sofrer é o chicote da vida. É a imprevisibilidade de todas as coisas, é você nao saber o que vem depois, é a bola de neve que se forma com problema pequenos, que juntos não te deixam dormir. É o não saber quando as coisas vão se ajeitar, é o não saber se ainda sente o que já sentiu, o não saber o que se quer, é o não fazer ideia de quanto tempo vai levar.
Ah o tempo, quanto sofre esse rapaz, o tempo é a minoria das coisas, é aquele que sabe bem o que é não ser respeitado. A dificuldade que nós temos de aceitar o tempo certo para as coisas (aceitação, mais uma vez). A gente pensa no plano, no resultado que buscamos, pensamos na conquista, no que precisamos fazer para chegar lá, mas nunca calculamos o esperar. O tempo é uma criança frágil tentando aprender a andar, não dá pra exigir que ele faça pra já, da pra exigir que ele cure o ralado do joelho da noite pro dia e não dá pra ser duro com ele. Não da pra fazer o tempo mudar e assim mudar a maré, levando aquele teu barco à deriva, sem remo, pra ilha que você quer chegar. O tempo é um cafajeste sincero e cara de pau que vive tentando flertar com a senhora santa paciência. O tempo é o definidor de uma boa colheita.
Ah e a colheita? A colheita é o gozo (sim, você leu certo), aquele ápice de prazer que você tem depois de tanto suar. É o que você merecer, você amou, sofreu, esperou e agora nada mais justo do que ver o fruto disso. A colheita é o superar, é o esquecer, é o amar mais uma vez, é o ganhar, é o perder, perder o medo, a dor, perder os preconceitos. Ela é o prazer final, aquele que você sente chegando aos poucos, aquele alívio ofegante que te faz relaxar e se jogar na cama. A colheita nem sempre é o que você achou que de fato merecia, mas o que você precisa. Você flertou, foi paciente, sofreu, encantou, teve dúvidas e foi recompensado com o beijo mais doce e apaixonado, que é conseguir o que deseja, aquilo que te dá a paz na alma, que arranca teu sorriso, que te faz querer cantar. Como é doce a colheita.
As vezes a gente precisa separar as palavras para que elas façam sentido juntas, as vezes a gente precisa se afastar das coisas pra ver como a gente precisa delas, ou como nunca precisamos delas. Em alguns momentos é necessário ver de longe, pra querer ter perto, ou ver mais longe ainda, pra perceber que era só acomodação e medo de recomeçar esse ciclo de vida que é o amor, o chicote, o tempo a colheita e o amor, o chicote, o tempo e a colheita....