sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Caleja

Geralmente, quando amigos me pedem conselhos sentimentais eu mentalizo sempre evitar coisas do tipo "sai dessa", "foge enqnto é tempo"etc. Isso, pelo simples fato de que sou daquelas pessoas que acreditam que não existe essa de fugir, cada um sabe até onde pode ir. Cada um sabe quando o coração caleja e você simplesmente para de querer, de desejar, de ter carinho, de se importar, seja com os elogios, seja com as patadas, os vacilos.
Essa coisa de let it be, deixar acontecer e se jogar mesmo. Sem jogo, sem meio termo, sem pisar em ovos..isso é puro, é livre. Quando você percebe que já tá naquela fase de nó na garganta pq não fala mais o que quer, quando nota que tá engasgada com uma monte de coisa, por que ser sincera deixou de ser uma coisa que vale a pena. Aquele estágio que você já não chora mais, não ri mais, não espera nada da pessoa, nem bem, nem mal. Ai é que "deu", é sua hora de seguir em frente e perceber que tudo que tava carne viva, florindo, secou, calejou.
Quando ver a pessoa já não é mais uma coisa totalmente positiva, nem motivo pra você levantar da cama se sentindo a pessoa mais feliz do mundo. Quando seu celular toca e vc vê que é uma msgm dela, seu sentimento tá mais pro medo, do que aquela ansiedade gostosa de ficar horas pensando no que responder.
Quando você já finge que tá tudo bem, que é só pra não render assunto, aquela fase que você acha que alguém já te empurrou tanto numa direção sem direção nenhuma, que a sua única alternativa é desviar e fazer o próprio caminho.
É engraçado porque isso acontece meio que do nada, depois de tanto querer, você acorda e pensa "Cara, não foi isso que imaginei pra mim.".
Podia ter sido tudo? Podia. Podia tanta coisa, podia ter sido o amante, o melhor amigo, um namorado, um rolo desses enroscados que acaba sendo divertido, podia ter sido uma coisa que passou leve, mas não foi. Só não foi nada, virou o tal nó na garganta, um você não sendo você, um monte de textos, rabiscos, músicas e filmes tristes. Um monte de palavra dita que não significou nada.
É tanta gente chegando nessa fase e por pura comodidade, ou costume, não querendo aceitar que tudo que já foi bom virou só uma lembrança pro futuro. Aquela pessoa que você vai olhar como se fosse o aquele sapato, que não combina com nada e além de tudo machuca, muito, encostado no canto do armário.
Tá ai, chegou a hora de olhar pra si e perguntar: Já deu, né? Agora chega.
Gostou, sorriu, sofreu, doeu e calejou...e o que vier agora é lucro.

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